A fotografia fiscal de 2019–2026 definirá o IBS (IV)

A fotografia fiscal de 2019–2026 definirá o IBS (IV)

Como arrecadação, fiscalização e atualização das bases moldarão a participação dos municípios no novo imposto nacional

5. O alerta de Dr. Ricardo: “O maior risco é permanecer inerte”

A tese destaca que muitos municípios estão:

■ com cadastros defasados,
■ com regimes especiais que reduzem artificialmente a base do ISS,
■ com baixa integração tecnológica,
■ com fiscalização subdimensionada,
■ e com modelos de cobrança pouco eficientes.

Se nada mudar, entrarão no IBS com participação reduzida — e não haverá como recuperar depois.

A razão é simples:
o cálculo do IBS não revisará os dados históricos; apenas aplicará a fotografia registrada.

1. Introdução: por que esse período é tão decisivo

No Café da Manhã – Virtual & Conteúdo (18/11), o procurador municipal Dr. Ricardo Almeida destacou uma tese central para o futuro das finanças municipais:
o desempenho da receita própria entre 2019 e 2026 determinará a posição de cada município na repartição do IBS a partir de 2027.

Esse período — chamado por ele de “fotografia fiscal” — não é apenas contábil: ele definirá quanto cada município receberá do novo imposto durante toda a transição.

Segundo Dr. Ricardo, os municípios ainda subestimam o tamanho do impacto: “O que se fizer até 2026 será carregado para o novo modelo de distribuição. Não agir agora é perder participação futura.”

2. O que é a “fotografia fiscal”

A fotografia fiscal é o conjunto de indicadores que o Comitê Gestor do IBS utilizará para definir o “ponto de partida” da distribuição.

Ela considera principalmente:

■ arrecadação do ISS entre 2019 e 2026
■ arrecadação do ICMS atribuída ao município (quando aplicável)
■ dados padronizados de declarações nacionais
■ comportamento dos créditos
■ apuração municipal em bases técnicas e auditáveis

Esses dados formarão o “peso relativo” de cada ente federativo.

3. A convergência entre ISS, ICMS e IBS

Dr. Ricardo explica que a lógica da Reforma Tributária define um princípio: o novo imposto deve refletir a economia real de cada território.

Por isso:

■ municípios com melhor desempenho no ISS terão maior participação no IBS,
■ estados com maior base de ICMS também serão diretamente beneficiados,
■ e haverá regras de transição que irão “puxar” o comportamento passado para o futuro.

O desafio municipal é evidente:
chegar a 2026 com o ISS fortalecido, atualizado, fiscalizado e estável.

4. Fatores que ampliam a participação do município no IBS

A tese aponta cinco elementos que influenciam diretamente o peso do município no novo imposto:

■ atualização das bases do IPTU (melhora o comportamento do cadastro imobiliário e do ISS)
■ revisão de regimes especiais (evita perdas estruturais)
■ fiscalização ativa e inteligente
■ redução da inadimplência e melhoria da cobrança
■ integração com sistemas nacionais (NFS-e padrão, ADN, MAN, APIs do Comitê Gestor)

Quanto mais consistente for a gestão fiscal entre 2024 e 2026, maior será a posição do município na matriz de repartição.

6. O papel estratégico dos fiscos municipais: agir agora

Dr. Ricardo apresenta quatro ações essenciais para 2024–2026:

6.1 Atualização de cadastros e revisão de base
■ Revisão da base do ISS
■ Confronto de CNAEs
■ Integração com o cadastro imobiliário
■ Atualização da Cosisp e do IPTU

6.2 Intensificação da fiscalização
■ Cruzamentos nacionais
■ Integração com NFS-e
■ Uso de painéis analíticos e BI
■ Foco nos setores de maior risco e potencial

6.3 Revisão de regimes especiais
■ Redução de distorções
■ Reequilíbrio das alíquotas efetivas
■ Compatibilidade com o padrão nacional

6.4 Cobrança ativa
■ Estratégias diferenciadas para grandes contribuintes
■ Redução da inadimplência
■ Ações administrativas antes da judicialização

7. Como isso se conecta aos demais temas da série

A tese IV consolida o elo entre todos os pontos apresentados por Dr. Ricardo:

■ IPTU atualizado → melhora cadastro e base tributária.
■ Dívida Ativa reorganizada → amplia receita antes do fechamento da fotografia.
■ COSISP ajustada → fortalece a estrutura urbana e aumenta previsibilidade fiscal.
■ Reforma Tributária → amarra tudo em um único sistema nacional.

Assim, a “fotografia fiscal” é o resultado de todas as medidas técnicas adotadas entre 2019 e 2026.

Conclusão: o futuro do IBS está sendo decidido agora

A análise de Dr. Ricardo é clara:

Os municípios que atuarem em 2025 e 2026 entrarão no IBS fortalecidos.
Quem permanecer inerte carregará perdas por décadas.

A fotografia fiscal não é apenas um recorte técnico — é o passaporte financeiro da próxima geração de políticas públicas municipais.

👉 Série Especial

Cada um dos cinco temas foi publicado em artigo próprio, com análises jurídicas, referências normativas e impactos práticos para a gestão fazendária municipal.

Acompanhe no portal ASSEFIN-SP:

0 - Os cinco temas apresentados por Ricardo Almeida sobre a Tributação Municipal
1 - IPTU como Instrumento de Justiça Fiscal e Delegação Técnica ao Executivo (I)
2 - A queda inédita na Dívida Ativa e os efeitos da Resolução 547/2024 do CNJ (II)
3 - COSISP: ampliação do financiamento urbano e segurança pública (III)
4 - A fotografia fiscal de 2019–2026 definirá o IBS (IV)
5 - ITBI, ISS e os contornos do novo modelo de tributação municipal (V)

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